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A importância de acolher o próprio ego

Categories: Ucem

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Se você está lendo esse texto, muito provavelmente é porque você sente que chegou a hora de buscar um caminho espiritual. E, talvez ainda, em um primeiro momento, você ainda se sinta muito sozinho em sua busca, até um pouco incompreendido, quase como se o mundo não acolhesse sua decisão de mudança. É possível que você esteja em uma fase de transição, entre tudo o que você acreditou e fez até então e os novos hábitos que você procura ter em sua vida.

As novas escolhas exigem esforço e consciência constantes e nem sempre elas acontecem de maneira suave. A vida espiritual é invisível aos nossos olhos físicos e, de repente, começamos a deixar de alimentar um ser que descobrimos ser irreal para nos dedicarmos ao nosso verdadeiro Ser.

Tudo isso faz parte de um caminho que, mesmo que de maneira inconsciente, começamos a trilhar desde o dia em que nascemos. Mas, antes de iniciarmos esse caminho, não seria importante entendermos quem o que acreditamos ser? Como podemos transcender o nosso estado atual se nem ao menos entendemos o lugar onde estamos nesse exato momento?

Existe um momento em nossa vida em que dizemos para nós mesmos: “deve haver uma outra maneira” e é exatamente aí que nos colocamos à disposição de uma força que nos guiará durante todo o nosso processo. Colocarmo-nos na posição de que não sabemos conduzir a vida de maneira plena e nos abrirmos à guiança de uma outra Força que sabe é a chave para a felicidade.

No entanto, temos que nos atentar com relação à nossa motivação real. Nossa busca espiritual não pode ser uma tentativa de fugir dos problemas que temos em nosso dia a dia. Não se trata de nos afastarmos fisicamente do mundo e das pessoas e sim nos afastarmos mentalmente do sistema de pensamento ao qual estamos tão acostumados. Como podemos fugir dos problemas criados por nós mesmos, se tudo está em nossa mente e tudo será levado conosco para onde quer que vamos?

Então, é necessário aprender a ser um ego e a viver nesse mundo antes de qualquer coisa. Não podemos negar nosso ego sem antes compreender que temos um. Como podemos negar que somos um personagem antes de nos tornar conscientes do mesmo e nos sentirmos confortáveis com ele? Se fugimos de nosso corpo e não conseguimos lidar com nossas necessidades físicas e psicológicas, como podemos transpô-lo de maneira satisfatória?

O verdadeiro crescimento espiritual acontece a partir do momento em que atingimos certo nível de maturidade social, física e psicológica.  E é necessária muita humildade para que consigamos atingir nossos objetivos pessoais e do mundo e não parar após conquista-los, por entender que, se pararmos, em realidade, não temos nada. A sabedoria está em reconhecer que ainda temos muito a aprender e que o presente nos leva para algo muito maior.

Todos nós nos encontramos no estágio em que ainda estamos aprendendo a lidar com o nosso ego, aprendendo a lidar com a ilusão do mundo. Os anos de formação de nossas vidas, quando estudamos ou desenvolvemos uma profissão ou, ao menos, nos tornamos, de certa forma, experientes em áreas como relações interpessoais, educação, vocação, vida financeira, e talvez ter um parceiro e construir uma família são necessários para o nosso ego. Precisamos compreender o peso de viver aqui, para que possamos transpor o mundo físico.

Essa é a nossa tarefa agora. Adquirir as ferramentas necessárias para a sobrevivência no mundo material dos corpos físicos e psicológicos, aprendendo a lidar com as outras pessoas e a lidar com os aspectos básicos da vida: comida, abrigo, sexualidade, emoções, educação, e aquisição das diversas habilidades necessárias para o processo de ser financeiramente sustentável aqui.

Por isso, devemos ter coragem e honestidade para olhar e reconhecer o ponto onde estamos nesse exato momento e dizer: “esse é o período da minha vida em que aprenderei como lidar com o meu personagem e a sua relação com outros personagens e com o mundo. Eu terei conquistas e objetivos, mas não permanecerei apenas com eles, porque eu sei que estou em uma jornada e essa é apenas uma parte dela.” Estamos falando da humildade de viver no mundo, aprender com ele e crescer com ele sem tentar espiritualizar as coisas prematuramente.

Devemos estar atentos à arrogância ao tentarmos reproduzir algo que não foi compreendido. Não devemos nos esquecer de que carregamos o peso do mundo que nós mesmos fizemos. Esse é o mundo para o qual escolhemos vir.

Todas as nossas experiências, sejam elas boas ou ruins, triunfos ou derrotas, são as ferramentas necessárias para que possamos enxergar a verdade. Se fingimos ser inocentes, santos e avançados espiritualmente não estamos dispostos a aprender, por acharmos que já sabemos tudo o que há para ser aprendido.

Entretanto, o que significa estar confortável com o próprio ego? Estar confortável com nosso ego é acolhê-lo como parte de nossa experiência, que significa acolher como algo escolhido por nós mesmos. Ao aceitarmos o ego, compreendendo que ele foi a nossa escolha, nos damos a oportunidade de mudar nossas mentes sobre nossa decisão equivocada. E, se nossa história de vida é exatamente da maneira como escolhemos, é durante o seu desenrolar que faremos todas as nossas descobertas.

Então, nossa existência terrena é onde aprendemos o nosso ofício. Aprendemos sobre o corpo e o mundo, aprendendo o que nos cabe aprender. Não devemos tentar avançar ou tentar impor a espiritualidade a nós mesmos, mas simplesmente deixar que ela nos envolva lentamente, como irá acontecer inevitavelmente. Da mesma maneira que deixamos que uma planta cresça em seu próprio ritmo e, de repente, ela começa a brotar, tornando-se uma linda flor, nós não fazemos de nós mesmos seres espirituais, mas deixamos que a espiritualidade venha até nós em seu próprio tempo, quando estivermos prontos.

Author: Willian Tello

Fundador e dirigente do Instituto Espiritual Xamânico Flor de Lótus