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Quando estamos prontos para escolher trilhar o caminho espiritual?

Categories: Reflexões

Lion

 

Todos nós passamos a primeira parte de nossa vida aprendendo a dominar o mundo e a nossa personalidade, aprendendo a lidar com nossos impulsos e necessidades e todo o mundo físico e psicológico que acreditamos determinar quem somos. Nós também aprendemos a conviver com outras pessoas. Tudo isso é parte de aprender a estar no mundo, incluindo ganhar dinheiro suficiente para que possamos viver nele. Até que chega um momento em nossa vida, quando completamos esse estágio de nosso aprendizado, em que começamos a perceber que o mundo em si é um deserto, sem vida real.

Conforme crescemos – e não estamos falando de crescimento cronológico e sim em termos de maturidade emocional e psicológica – não percebemos que a maneira como vivemos não faz o menor sentido, não há vida real. É apenas no momento em que podemos dizer sinceramente que deve haver uma outra maneira de viver, algo além de nos tornarmos um bom menino ou uma boa menina, que nossas necessidades espirituais começam a se desenvolver e crescer.

Começamos nossa jornada aprendendo com nossos pais e depois percebemos que eles não são perfeitos. Aprendemos com os nossos professores, com outras pessoas de nossa família, com líderes políticos, sociais e religiosos para depois perceber que o que estes dizem funcionou para nós durante algum tempo, mas não nos leva muito longe. E, então, onde antes dizíamos sim, começamos a dizer não.

Como podemos mudar a maneira como pensamos e viver de outra forma quando tudo o que temos lido e tudo o que nos é ensinado nos aprofunda ainda mais nesse sistema de pensamento? Como podemos aprender a acordar do sonho quando tudo à nossa volta tem o objetivo de tornar o sonho real? Por isso, temos que aprender de alguém que ensine um sistema de pensamento que esteja fora do sistema de pensamento do ego, que consiga enxergar além das ilusões.

Buscamos apenas o sonho, mas reconhecemos que o primeiro estágio nos ajudará a conseguirmos despertar dele. É uma fase importante, pois não conseguiremos enxergar o outro lado sem antes olharmos para tudo o que aprendemos. É um estágio difícil, porque agora temos que dizer que tudo o que aprendemos e nos tornamos não é verdade. O maior desafio dessa transição é estar apto a exercer o poder da escolha sem raiva ou ataque, sem tentar destruir o mundo ou a nós mesmos, enquanto reconhecemos que não podemos chegar onde desejamos sem antes passar pelo mundo. E, então, o que nos tornamos e ensinamos a nós mesmos será o meio pelo qual aprenderemos a nos mover além desse mundo. Começamos a trilhar o caminho espiritual quando percebemos que não estamos felizes.

Queremos algumas coisas que nos dão prazer, e evitamos outras que nos causam dor. No entanto, todas as coisas – prazerosas ou dolorosas – tornam o sonho da personalidade individual real. Enquanto nos ocupamos em melhorar o corpo, o mundo, as pessoas, ou seja, tudo o que está fora de nós, negamos o poder de nossa mente de escolher. Isso não significa que vamos deixar de existir como seres físicos, apenas percebemos que o nosso corpo físico não poderia conter o Ser que realmente somos.

Tomamos o nosso lugar de direito como mentes tomadoras de decisões quando, ao olhar para o sistema de pensamento do ego, dizemos que não queremos mais isso, quando olhamos para o pecado e a culpa projetados do lado de fora e reconhecemos que estes estão do lado de dentro e, ainda, quando sabemos que temos o poder de decidir contra isso. O que precisa ser mudado é o sistema de pensamento, a maneira como pensamos. O comportamento em si muda inevitavelmente em consequência.

A mudança fundamental necessária é abrir mão do julgamento. Isso libertaria nossas mentes de quaisquer pensamentos egoicos que contaminariam nossos julgamentos sobre o comportamento. O nosso foco sai do mundo externo de personalidades para o mundo interno do poder da mente de decisão e, mais especificamente, a qual o professor que decidimos ouvir. O professor do julgamento e ataque ou o professor do perdão e da paz?

Gentileza e bondade se estendem através de nós e abrange a tudo e a todos, independentemente de sua forma. Esse é o resultado inevitável de se tornar uma mente tomadora de decisões, que olhou para as coisas às quais o mundo e o ego dizem sim e compreende que é uma negação da verdade e simplesmente diz: “Eu não quero nada disso. Eu escolho diferente.”

Começamos a perceber que não são as coisas do mundo que não têm valor, são as coisas em nós mesmos – o que pensamos ser – que não têm valor. O mundo é simplesmente uma projeção da insignificância de nosso ego. Nada do lado de fora pode significar nada, porque não é a paz de Deus, nem o amor que abrange a todas as pessoas. Qualquer pensamento que não abranja a todas as pessoas, sem exceção, é sem valor. Esse é o critério principal na distinção entre o que tem ou não valor.

Como mentes tomadoras de decisão, temos o poder de escolher entre o inferno do ego ou o Céu do Espírito Santo. Ninguém pode fazer isso por nós. Ninguém pode nos levar ao inferno ou nos guiar para o Céu. O poder é todo nosso, o poder de nossa mente de escolher. Essa escolha não é o final da história, mas nos tira do deserto.

Author: Willian Tello

Fundador e dirigente do Instituto Espiritual Xamânico Flor de Lótus