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Quão comprometida está a nossa saúde mental

Categories: Reflexões

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Recentemente, li um artigo que dizia que um estudo conduzido pela universidade de Berkeley da Califórnia, uma das mais importantes e prestigiadas universidades do mundo, descobriu que 47% dos alunos de pós-graduação sofrem de depressão.

O artigo dizia que o ambiente exigente do mundo acadêmico poderia induzir muitas pessoas que sofrem com a saúde mental a deixar seus problemas escondidos, enquanto outros simplesmente aceitam a depressão como parte do percurso. E, em um ambiente extremamente competitivo da academia, muitas pessoas assumem que problemas psicológicos são só para os fracos.

Além disso, ao que parece, muitos alunos de doutorado estão tão acostumados a trabalhar duro e se autodisciplinar, que eles se flagelam quando seus esforços para lidar com a depressão não produzem resultados perfeitos.

A informação, por si só, choca. São Carlos possui grande concentração de acadêmicos e é muito comum ouvir alguém dizendo que estava em alguma fase difícil do doutorado e, por isso, essa pessoa não tinha tempo para conviver socialmente com outras pessoas. Até aí, parece compreensível e aceitável, pois todos nós temos uma fase do trabalho em que nos dedicamos mais e isso nos afasta um pouco dos prazeres sociais. Por outro lado, muitas pessoas parecem justificar certo tipo de comportamento ou sentimento por conta dessa mesma fase.

Entretanto, isso também não é novidade, já que é uma tendência do ser humano buscar um culpado fora de si para as escolhas que faz. Então, nesse caso, o culpado seria a fase estressante do doutorado e isso justificaria a falta de amorosidade para lidar com as pessoas do seu convívio, ou os ataques de ansiedade, ou até mesmo as crises de pânico e choro durante o percurso.

Entretanto, atenhamo-nos aos números. Um a cada dois estudantes sofre de algum tipo de doença da alma e o mais impressionante é que isso é considerado normal. Quando esse tipo de doença é visto como normal, isso significa que ela faz parte da rotina dessas pessoas. E, se é normal, por que elas tentariam mudar qualquer coisa? Se é normal, nada mais aceitável do que esperar essa fase passar por si só. Assim, sem compreender a sua causa, como poderemos curar?

Mas, quando olhamos para o ser humano como o tomador de decisão e não como a vítima das circunstâncias, seria essa atitude a mais acertada? Se ele sofre de grande ansiedade e medo, quem o colocou naquela situação? E, se foi ele mesmo que se posicionou desta forma, quem melhor do que ele para tirar a si mesmo dessa? Mas como? Como podemos ajudar essas pessoas?

Para que ele consiga sair de sua depressão e alcançar estados mais felizes de consciência, é necessário primeiramente que ele reconheça que há algo errado com a maneira com que ele se sente. Não há nada de “normal” em ser infeliz. Na verdade, foi necessário um alto investimento de sua parte para que sua vida chegasse a esse ponto. Ou seja, para que a correção seja possível, precisamos estar conscientes de que, em algum ponto, tomamos uma decisão equivocada.

O estudo até mesmo diz que 10% desses mesmos estudantes cogitaram a hipótese de um suicídio. Mas poderia a carreira escolhida ter mais valor do que a vida em si? Acho que fica claro que isso nem é algo que se deve ser colocado na balança. A carreira profissional é um dos tantos aspectos de nossa vida manifestada na matéria e, por mais que seja o lugar onde passamos a maior parte do tempo, existe algo muito maior por trás disso tudo.

Não pode ser considerado normal um estado diferente do estado de alegria plena e paz, que é nosso estado natural. Entretanto, nossa identificação com o sofrimento vem de datas tão remotas. Temos a sensação de que, se não sofremos, perderemos nossa identidade. É como se o pensamento que fizesse mais sentido para nós fosse: sofro, logo existo. Mas isso deve ser realmente assim? Todo o investimento no sofrimento vem da culpa inconsciente, que nos diz que não é “justo” que sejamos felizes.

As pessoas que sofrem de depressão, seja qual for o seu motivo aparente, o fazem por estarem identificados com o sentimento de tristeza e, no caso dos acadêmicos, o “bode expiatório” se tornou o estresse gerado pelo trabalho. O que precisa ser identificado é que os sentimentos de desesperança e tristeza já existiam na pessoa e os acontecimentos externos apenas fizeram com que esses sentimentos viessem à tona.

E, nesse caso, ignorar o fato de que está triste é a pior coisa que pode ser feita. O único caminho para a luz é enfrentar a escuridão que nós mesmos criamos. É necessário que encaremos o que acontece conosco e passar por cima de nossos sentimentos na esperança de que eles desapareçam por si só nunca é melhor saída.

Como regra geral, quando estamos em qualquer estado emocional que seja diferente da paz, é porque, em algum ponto, escolhemos errado e estamos desconectados de nossa Fonte. E, nesse sentido, vale à pena refazer o caminho mental e interno de nossas escolhas e pensar se o estado em que nos encontramos é o que realmente desejamos.

A depressão vem da sensação que temos de estarmos sendo privados de algo e, se nos reconhecemos Filhos de Deus perfeitos, aos quais não falta nada, o sentido de privação só pode vir de uma percepção equivocada criada por nós mesmos. E, se tudo o que precisamos é encarar a situação sob outro prisma, por que não encarar a questão de frente e darmos a atenção que ela demanda? É apenas através de nosso olhar sincero e despido de medo que conseguiremos enxergar a situação pelo que ela é de fato.

Afinal de contas, se estamos falando de nosso próprio estado interno e ser feliz depende de apenas de nossas escolhas, por que não começar a escolher agora?

Artigo mencionado:

There’s an awful cost to getting a PhD that no one talks about

 

Author: Willian Tello

Fundador e dirigente do Instituto Espiritual Xamânico Flor de Lótus