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Um Curso em Milagres

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UM  (Significa que é um entre milhares de outros).

CURSO (Significa o caminho, ou no sentido do curso ou trajetória a ser percorrida. Significa também, o meio pelo qual se obtém o  aprendizado).

EM (Significa que a direção do curso, está voltada, para o estado em que os milagres são naturais).

MILAGRES (São sinais naturais de perdão, representam a libertação do medo, restauram a santidade da mente. Fazem com que as mentes sejam  uma só em Deus. Dependem da cooperação, porque a Filiação é a soma  de tudo o que Deus criou).

“Este é um curso obrigatório. Só é voluntário o momento em que decides fazê-lo.  Livre arbítrio não significa que podes estabelecer o currículo. Significa apenas que podes escolher o que queres aprender em determinado momento. O curso não tem por objetivo ensinar o significado do amor, pois isso está além do que pode ser ensinado. Ele objetiva, contudo, remover os bloqueios à consciência da presença do amor, que é tua herança natural.”

Um Curso em Milagres resume no prefácio o que ele mesmo diz:

Nada real pode ser ameaçado.

Nada irreal existe.

Nisso está a paz de Deus.


Os ensinamentos contidos no livro Um Curso em Milagres são amplamente utilizados em nossos rituais e norteiam todo o sistema de ensino-aprendizado oferecido com os trabalhos com ayahuasca em nosso instituto.

Muita gente nos pergunta o que é o Curso em Milagres e defini-lo em palavras é muito complicado, pois em essência se trata de um Curso para treinamento da mente mas, ao mesmo tempo, é também um Curso de ensino, um sistema filosófico, psicológico, um curso espiritual e uma ferramenta para autoconhecimento.

A mensagem central do Curso é que a salvação vem a qualquer momento que duas pessoas se unem para compartilhar um interesse comum, ou trabalhar para uma meta comum. Isso sempre envolverá algum aspecto do perdão.

Essa mensagem não poderia ser melhor representada como foi na própria história de como o Curso veio ao mundo. O Curso é considerado como tendo sido transcrito ou canalizado, por uma pessoa chamada Helen Schucman, ela é usualmente descrita como escriba do livro e não autora e ela foi auxiliada por William Thetford, que a ajudou durante os sete anos em que o livro foi transcrito. Ambos eram psicólogos no Columbia Presbyterian Medical Center em New York City, USA. Bill era chefe de departamento e se relacionou com Hellen por sete anos, dos quais eles tiveram grandes dificuldades de relacionamento entre eles e entre os diferentes departamentos, centros médicos e disciplinas de outros cursos, em um ambiente tipicamente tenso de uma grande universidade.

O ponto de mutação ocorreu quando ambos estavam atravessando a cidade para uma reunião interdisciplinar na universidade. Essas reuniões eram para eles desagradáveis, repletas de rivalidade, competitividade, julgamentos e críticas. Nesse dia Bill fez algo totalmente fora de seu padrão e conversou com Hellen dizendo que “tinha que haver um jeito melhor de se lidar com essas reuniões e com os tipos de problemas que lá surgiam”. Ele queria acreditar que ambos eram mais capazes de amar e de não estarem tão preocupados em competir e criticar.

Os relatos são de que Hellen, nesse momento, também saiu de seu padrão comportamental e se disponibilizou a ajudar Bill a encontrar esse “outro jeito”. Assim, já se expressava na mente deles os princípios básicos do Curso em Milagres, o Instante Santo, que abriu a porta para uma série de experiências que Hellen passou a ter acordada e dormindo e que levaria ela a ouvir “a voz” que ditou o Curso em Milagres.

Hellen àquela altura de sua vida, com seus cinquenta anos, se considerava ateísta militante, disfarçando com astucia seu ressentimento para com Deus, que no seu entender não tinha agido bem com ela. Como acadêmica julgava de forma agressiva todo pensamento não cientifico, tudo que não poderia ser estudado, medido ou avaliado e que se apresentava segundo o crível de sua opinião como ambíguo era visto como duvidoso. Ela era pesquisadora, expressando uma mente bastante lógica, analítica e aguda, sem tolerância para desvio desses padrões.

Fala-se que ela possuía capacidade psíquica quando pequena de perceber coisas que não estavam presentes, mas que não havia dado atenção por acreditar que acontecia com todos. Quando ela começou a ouvir a “voz que ditou o curso” ficou assustada pois pensou estar enlouquecendo. A presença de Bill fez com que ela não rejeitasse o processo que se iniciara. De outro modo o Curso nunca teria sido transcrito.

Muitas experiências no período entre se propor a buscar “um outro jeito” até o momento de escrever a primeira frase do curso foram descritas por Hellen, uma delas é muito citada por trazer outro princípio básico do curso: Deus é. O Curso ensina que o passado não existe e de que não devemos nos preocupar com o futuro, que também não existe. Só devemos nos preocupar com o presente, já que este é o único lugar em que podemos conhecer Deus. Há uma lição no livro que diz: “Dizemos: ‘Deus é’ e então deixamos de falar”.

Nessa experiência Hellen se viu em uma gruta onde encontrou um pergaminho com duas varas nas quais ele estava enrolado. Ela desenrolou o pergaminho e na parte central estava escrito a frase Deus É. Hellen desenrolou um pouco mais e havia uma parte em branco à esquerda e à direita e uma voz lhe disse que se ela olhasse a da esquerda conheceria tudo o que aconteceu no passado e se olhasse a direita conheceria tudo o que estava no futuro. Ela então respondeu que só se interessava pela mensagem central. Assim ouviu um “Obrigado, desta vez você conseguiu”. Ela entendeu que teve sucesso em um tipo de teste que pelo visto falhara antes. Essa experiência lhe trouxe a consciência a responsabilidade de não usar equivocadamente a habilidade que possuía, ou seja, ela não usaria para satisfazer a curiosidade, se importando apenas com o presente, onde Deus é encontrado.

Em um certo momento Hellen intuiu que iria fazer algo inesperado e comunicou a Bill sobre esse sentimento. Ele sugeriu que ela anotasse todas as coisas que lhe viessem a cabeça, que ouvisse ou sonhasse. Ela conhecia taquigrafia e podia escrever com muita rapidez. Cerca de quinze dias depois disso ela começou a ouvir uma voz que lhe dizia: “Esse é um curso em milagres. Por favor, tome nota”. Ela ficou muito assustada e falou com o Bill que essa voz não parava de dizer essas palavras. Bill a estimulou então a tomar nota do ditado e sete anos depois o Curso em Milagres estava pronto.

Hellen dizia que a voz funcionava como um gravador que podia ser ligada e desligada a qualquer momento, se a transcrição era interrompida no meio de uma frase ela conseguia voltar do ponto em que estava sem esforço ou dificuldade. No entanto ela se sentia aborrecida se ficasse muito tempo sem transcrever. As anotações eram feitas de forma totalmente consciente, ela nunca entrava em transe ou algo do tipo. A maior parte do curso é escrito no original em inglês em versos pentâmetros iâmbicos, métrica utilizada por Shakespeare em seus sonetos. Hellen conseguia transcrever sem perder a métrica.

A parte mais assustadora nessa relação com “a voz” é que ela se identificava como sendo Jesus. Boa parte do livro é escrito na primeira pessoa, onde Jesus fala muito da sua crucificação. O próprio Curso diz que não é necessário que se acredite que é a voz de Jesus para que se consigam os benefícios apresentados pelo Curso e que acreditar nisso não é necessário para praticar os seus princípios. No entanto, há um trecho que diz que não é preciso que o acreditemos para aceitar o Curso em nossas vidas, mas que ele poderia ajudar-nos muito mais se nós o permitíssemos.

Helen não tinha dúvida em sua mente de que era a voz de Jesus, o que tornava tudo muito mais assustador e essa não era uma experiência feliz para ela. Ela o fazia porque, de algum modo, acreditava que tinha que fazer. Uma vez Helen queixou-se: – Por que é que você me escolheu? Eu sou a última pessoa no mundo que deveria estar fazendo isto. E ele respondeu: – Não sei por que você está dizendo isso, porque afinal de contas, você está fazendo. Ela não pôde discutir com ele, pois, de fato, estava mesmo fazendo e obviamente era uma escolha perfeita. Helen anotava as palavras do Curso todos os dias e no dia seguinte, sempre que havia um tempo nas agendas, ela ditava a Bill o que tinha sido ditado a ela e ele datilografava. Bill dizia que precisava abraçá-la para ampará-la com um dos braços enquanto datilografava com o outro porque ela tinha muita dificuldade em ler o que tinha escrito. Foi assim que Um Curso em Milagres foi transcrito.

É importante compreender que o Curso não é, nem pretende ser, um movimento ou religião. É estritamente um sistema de ensino através do qual indivíduos podem encontrar o seu caminho para Deus praticando seus princípios. Ele é bastante claro em dizer que não é o único caminho para o Céu. É apenas uma forma do curso universal entre muitas outras.

Um Curso em Milagres também não é para todas as pessoas. O que serve para todas as pessoas? Para aqueles em que este não é o caminho, o Espírito Santo dará outra coisa. Lutar com o Curso, insistir em estudá-lo quando não se sente confortável com ele e, portanto, viver a experiência como um fracasso, é um erro. Isso é exatamente ir contra tudo o que o Curso diz. O propósito do Curso não é tornar as pessoas culpadas, mas o contrário. No entanto, para quem sente que este é o seu caminho, estudar o Curso vale muito a pena.

No entanto, não é um curso fácil, muitos dos que se dedicaram a estuda-lo, com seriedade e disciplina, passaram por um período no qual queria joga-lo pela janela, ou em cima de alguém, ou no vaso, e dado a descarga. Isso acontece porque Um Curso em Milagres vai contra tudo o que nós acreditamos. E não nos apegamos a nada com mais tenacidade do que ao nosso sistema de crenças, certo ou errado. Há uma frase no Curso que pergunta: “Preferes estar certo ou ser feliz?” A maioria preferiria estar certa do que ser feliz. O Curso vai contra isso, e a sua descrição quanto a quão errado o ego realmente está é muito dolorosa. Como estamos muito identificados com o ego, lutaremos contra esse sistema.