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Ayahuasca: Considerações botânicas sobre as espécies

Autores: ROSANA LUCAS SÉRPICO / DENIZAR MISSAWA CAMURÇA 

Monografia apresentada à disciplina de Metodologia do Trabalho Científico como requisito para a conclusão do curso de Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Guarulhos.

Trechos selecionados por nós, para ver na integra clique no ícone abaixo:


INTRODUÇÃO

A utilização de plantas psicoativas teve início entre as civilizações mais antigas que buscavam conhecimento e cura através do contato com o mundo espiritual promovido por estes vegetais. A ayahuasca é um chá obtido, geralmente, através da cocção de duas espécies vegetais endêmicas da floresta amazônica: um cipó da família Malpighiaceae, Banisteriopsis caapi (Griseb. in Mart.) C. V. Morton, que contém derivados beta-carbolínicos: harmina, harmalina e tetrahidroharmina; e um arbusto da família Rubiaceae, Psychotria viridis Ruíz & Pavón, que contém um derivado triptamínico a N,N-dimetiltriptamina (DMT). Este chá é utilizado em um contexto ritualístico por povos indígenas da bacia amazônica. No Brasil o contato das populações não-indígenas com a ayahuasca resultou em religiões que fazem uso do chá em seus rituais regulamentados através da resolução nº 4 do CONAD (atual Secretaria Nacional Anti-Drogas) de 4 de Novembro de 2004, estes grupos possuem adeptos em vários estados brasileiros e no exterior. Nos últimos anos, registrou-se um aumento significativo no consumo da ayahuasca em diversas regiões do Brasil, mostrando a necessidade de elaborar um plano de cultivo das espécies empregadas no chá fora da região amazônica, local onde ocorre atualmente um alto índice de extrativismo. Nesta perspectiva o presente estudo buscará na literatura informações botânicas sobre as espécies: Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis, com ênfase nas características fisiológicas e ecológicas importantes para a reprodução e cultivo dessas plantas na região sudeste, também será realizada uma revisão bibliográfica que abordará o histórico da utilização da ayahuasca no Brasil e as pesquisas médicas e farmacológicas.


AS FONTES BOTÂNICAS DA AYAHUASCA

Os estudos botânicos a respeito das espécies empregadas na preparação da Ayahuasca se iniciaram em 1851, quando o botânico inglês Richard Spruce (SPRUCE, 1873 apud MCKENNA, 1998b; SCHULTES, 1982 apud MCKENNA, 1998b; METZNER, 2002) coletou alguns espécimes da liana utilizada na bebida por índios brasileiros da tribo Tukano, classificando-a como Banisteria caapi, que, em 1931, foi reclassificada por Morton como sendo Banisteriopsis caapi. Schultes cita que esta planta é o principal componente utilizado na preparação da bebida, existindo, porém, o uso em menor escala das espécies: B. longialata, B. lútea, B. martiniana e B. muricata (ARANHA et al, 1991; SCHULTES, 1957, 1972, 1986 apud MCKENNA, 1998b).

A outra espécie comumente utilizada é o arbusto Psychotria viridis que foi, primeiramente, descrita por Ruíz & Pavón em 1779. Todavia, esta pode, segundo Aranha e outros (1991), ser raramente substituída por: P. batiskawa, P. carthaginensis, P. leiocarpa, P. naikawa, P. pishikawa, P. psychotraefolia e P. retifolia .Mckenna (1998a) descreve a que na Colômbia e Equador além do gênero Psychotria, existe também a utilização de uma outra planta da família Malpighiaceae, que contém uma alta concentração de DMT a Diplopterys cabrerana. (OTT, 1994; MCKENNA et al, 1998a).

Jonathan Ott (1994) cita 98 espécies de 39 famílias de plantas que podem ser adicionadas à ayahuasca e as classifica em 3 categorias: as nãopsicoativas com potencial terapêutico, as estimulantes e as enteógenas ou drogas visionárias, que se subdivide em 4 categorias: Nicotiana (Nicotina), Brugmansia (Alcalóides tropanos), Brunfelsia (escopoletina) e Chacruna/Chagropanga (DMT) (OTT,1994).

No presente trabalho, pretendemos estudar somente as duas espécies utilizadas no preparo da ayahuasca: o cipó Banisteriopsis caapi, e o arbusto Psychotria viridis.

Banisteriopsis caapi

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• Nome científico: Banisteriopsis caapi (Griseb. in Mart.) C. V. Morton

• Nomes populares: Jagube, Mariri, Cabi, Caupurí, Uni

• Ocorrência: Em toda a floresta amazônica (Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia)

• Descrição: Liana da família Malpighiaceae, com morfologia caulinar diferenciada em duas variedades, onde a variedade caupurí apresenta os nós bem mais evidenciados que a variedade tucunacá.

As espécies desta família apresentam folhas com disposição oposta cruzada, medindo em média 15-20 cm de comprimento por 7-11 cm de largura, limbo simples e inteiro de formato oval, afinando nas pontas, liso na parte superior, piloso na parte inferior, nervação peninérvea, presença de pecíolo e ausência de bainha (Figura 07), apresenta nectários foliares no pecíolo ou na face abaxial (Figura 06). (JOLY, 1991; SOUZA & LORENZI, 2005). Segundo Bentley, os nectários foliares mantém uma relação de mutualismo entre a espécie vegetal e pequenos insetos (BENTLEY, 1977), acredita-se que esses artrópodes utilizam o néctar como fonte alimentar e podem predar ou injuriar insetos herbívoros, realizando consequentemente a proteção da planta. (OLIVEIRA & PIE, 1998).

Sua Inflorescência é paniculada nas axilas superiores ou terminais com pedicelos pilosos e flores vistosas de coloração rosada, diclamídeas, monóclinas, de simetria actinomorfa, cálice pentâmero e dialissépalo, dialipétala com 5 pétalas.

longas e afinadas, diplostêmone com 10 estames heterodínamos, anteras arredondadas, com 3 estiletes, estigmas captados e com ovário súpero. Possui frutículos samaroídeos com a semente localizada na base da sâmara. (JOLY, 1991; SOUZA & LORENZI, 2005). As sementes de B. caapi possuem características morfológicas que facilitam sua disperção pelo vento, segundo Raven e outros, muitas plantas possuem frutos ou sementes leves que são dispersos pelo ar, sendo esta uma característica evolutiva das angiospermas, as alas permitem que essas sementes sejam sopradas de um lugar para outro (RAVEN, et al. 2001).

No Brasil a família Malpighiaceae é composta por 38 gêneros com aproximadamente 300 espécies, que podem ser encontradas por todo o país, principalmente nas bordas da mata (SOUZA & LORENZI, 2005).

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• Princípios ativos: Os princípios ativos encontrados principalmente na casca são derivados beta-carbolínicos: harmina, harmalina e tetrahidroharmina  (RIVIER & LINDGREN, 1972 apud METZNER, 2002; HASHIMOTO & KAWANISHI,1976).

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Callaway (2002) efetuou um estudo quantitativo a partir de cascas secas de duas variedades de Banisteriopsis caapi utilizadas no preparo da ayahuasca (Figura 10). Uma delas, o caupurí, possui uma morfologia caulinar distinta onde os nós são bem evidenciados, é utilizada mais comumente pela UDV. A outra variedade é o tucunacá, possui diversos nomes populares como ourinho, rosinha ou arara, com algumas diferenças na coloração do caule.

Através de cromatografia de alta precisão, observou os resultados demonstrados na tabela 1 concluindo que a variedade caupurí possui maior concentração de beta-carbolinas que a variedade tucunacá. (CALLAWAY apud METZNER, 2002):

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Psychotria viridis

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• Nome Científico: Psychotria viridis Ruíz & Pavón

• Nomes populares: Rainha, Chacrona, Chacruna, Kawa

• Ocorrência: Em toda a floresta amazônica (Brasil, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia) • Descrição: Planta arbustiva da família Rubiaceae (Figura 11), as plantas dessa família apresentam folhas completas de formato lanceolado medindo em média 12-15 cm de comprimento por 4-5 cm de largura; de disposição oposta cruzada; nervação peninérvea, presença de bainha semi – amplexicaule e pecíolo curto; limbo simples e inteiro, liso na parte superior e presença de domácias na parte inferior (Figura 14) (JOLY, 1991; SOUZA & LORENZI, 2005).

Acredita-se que as domácias mantenham uma relação de mutualismo entre a planta e pequenos animais como ácaros que auxiliam na proteção do vegetal contra predadores. (MATOS et al, 2006).

As inflorescências das espécies de Rubiaceae são cimosas com flores diclamídeas; monóclinas; de simetria actinomorfa; cálice pentâmero dialissépalo; gamopétala e com ovário ínfero. O fruto é do tipo drupa com o epicarpo de coloração vermelha quando maduro e possui duas sementes convexas em sua parte dorsal e aplanadas em sua parte ventral (Figura 13). (JOLY, 1991; SOUZA & LORENZI, 2005).

No Brasil a família Rubiaceae inclui aproximadamente 130 gêneros e 1500 espécies, distribuídas em todos os biomas do país, sendo que o gênero Psychotria é mais comumente encontrado no subosque das florestas úmidas (SOUZA & LORENZI, 2005).

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• Princípios ativos: O princípio ativo encontrado nas folhas é um derivado triptamínico a N,N-dimetiltriptamina (DMT) (MCKENNA et al., 1984; RIVIER & LINDGREN, 1972, apud METZNER, 2002), um alcalóide indol muito semelhante a serotonina (5HT) (Figura 15) tanto na estrutura molecular como na atividade (STRASSMAN, 2001).

Callaway observou que os níveis de concentração de DMT nas folhas variavam de acordo com o horário da colheita. Os níveis mais altos foram encontrados em folhas colhidas ao anoitecer (9,52mg/g de DMT) e na madrugada (8,97mg/g de DMT), ocorrendo uma depressão por volta das 10h (8,01mg/g de DMT) e apresentando menor quantidade ao meio dia (5,57mg/g de DMT) (CALLAWAY apud METZNER, 2002).

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A FARMACOLOGIA DA AYAHUASCA

O início das pesquisas sobre os princípios ativos existentes nas espécies utilizadas na ayahuasca foi marcado por muitas confusões, onde a utilização de material botânico não confiável trouxe resultados de caráter duvidoso, Perrot e Hamet (1927) citam que um alcalóide denominado telepatina foi isolado em 1905 de um material botânico chamado de “yagé” por Zerda Bayón, em 1923, o químico colombiano Fischer Cardenas isolou novamente um alcalóide o chamou de telepatina, em 1925 Barriga-Villalba e Albarrancin isolaram um alcalóide e denominaram iageína, proposto também por Michaelis e Clinquart em 1926. (MCKENNA, 1998b).

Em 1928 Lewin isolou do cipó Banisteriopsis caapi um alcalóide denominado banisterina que se mostrou idêntico a harmina, previamente isolada pelo químico Fritsch em 1847 a partir das sementes da Peganum harmala (MCKENNA, 1998b). Os químicos Chen e Chen (1939) isolaram a harmina dos galhos, raízes e folhas do Banisteriopsis caapi previamente identificado pelo Chicago Field Museum e Hochstein & Paradies (1957) isolaram a harmina, a harmalina e a tetrahidroharmina de um material confiável coletado no Peru.

Mckenna e outros (1984) confirmaram a atividade oral da ayahuasca, com a DMT sendo seu principal componente ativo, encontrado nas folhas da Psychotria viridis, tornando-se, oralmente, através da atividade inibidora da monoaminoxidase (IMAO) promovida pelas beta-carbolinas presentes no cipó Banisteriopsis caapi.

Na década de 1980 surgiram as primeiras contribuições do antropólogo Luis Eduardo Luna que trabalhou com ayahuasqueiros do Peru e criou o conceito de “plantas mestres” na tentativa de demonstrar a visão que os ayahusqueiros tem das espécies vegetais que compõe a bebida. Em 1986, Luna, Mckenna e Towers publicaram o primeiro artigo citando a variedade das espécies vegetais empreendidas na bebida sugerindo uma posterior investigação farmacobotânica como fonte de novos agentes terapêuticos. (MCKENNA et al ,1995 apud METZNER, 2002).

A União do Vegetal (UDV) em 1991 através do Departamento Médico Científico (DEMEC) realizou o 1º Congresso em Saúde, convidando diversos pesquisadores brasileiros e estrangeiros entre eles Dennis Mckenna e Luis Eduardo Luna. Nesta mesma época, o COFEN, atual SENAD (Secretaria Nacional Anti Drogas) estava formando uma comitiva para reavaliar a legalidade da ayahuasca no Brasil e isso aumentou a necessidade de pesquisas médicas sobre a segurança do uso prolongado do chá, efeitos adversos e síndrome de abstinência. Mckenna convidou uma equipe internacional de pesquisadores de diversas instituições: UCLA, Universidade de Miami, Universidade de Kuopio (Finlândia), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de Campinas e Hospital Amazônico de Manaus para participarem do “Projeto Hoasca” onde realizariam testes médicos, fisiológicos e psicológicos em voluntários do núcleo de Manaus da UDV. 

Em 1993, iniciou-se o Projeto Hoasca, que realizou uma avaliação biomédica em usuários de ayahuasca, mostrando seus efeitos clínicos e sua psicofarmacologia. Esse estudo provou que o uso da bebida por um longo prazo não apresenta nenhuma toxidade. Entre os resultados encontrados, podemos citar: inexistência de distúrbios psiquiátricos como abstinência, tolerância e abuso; maior poder de concentração entre os usuários; aumento dos receptores de serotonina entre os indivíduos que utilizavam o chá há mais de 10 anos, indicando um possível potencial anti-depressivo da bebida; após 6h os níveis de DMT não foram detectados e após 8h não foi detectado nenhum alcalóide no plasma; o hormônio do crescimento (GH) e a prolactina apresentaram um aumento após 90 e 120 minutos de ingestão do chá e voltaram a homeostase após 6h. (GROB et al, 1996; CALLAWAY et al., 1999; MACKENNA et al., 1998; ANDRADE et al., 2004)

Jordi Riba (2004) realizou um estudo sobre a farmacologia da ayahuasca em usuários sadios, que, após a ingestão da bebida, passaram por uma série de avaliações médicas. Entre os resultados encontrados podemos citar: a ayahuasca produziu efeito dose-dependente em 5 das 6 escalas da HRS (Hallucinogen Rating Scale), onde os primeiros efeitos foram evidenciados entre 30min e 60min com pico entre 60min a 120 min, desaparecendo pós 240min; a atividade inibidora da monoaminoxidase das beta-carbolinas, possivelmente, aumentou os níveis de catecolaminas; através de eletroencefalografia foram constatadas ações pró- serotoninérgicas e pró-dopaminpergicas evidenciando os receptores 5-HT2 e D2 na produção dos efeitos da ayahuasca; e pela tomografia eletromagnética observou-se que as doses utilizadas no experimento não induziram sintomas psicóticos ou perda de consciência (RIBA, 2004).


A fisiologia da ayahuasca

A serotonina é um neurotransmissor conhecido quimicamente como 5- hidroxitriptamina (5-HT) e é produzida no cérebro e no trato gastrointestinal a partir do aminoácido L-triptofano. É a responsável por algumas funções do comportamento como planejar e muitas outras relacionadas com o tempo. (CALAWAY apud METZNER, 2002).

Os neurotransmissores utilizam diversas vias metabólicas para sua desativação. Entretanto, a serotonina é inteiramente dependente da atividade de uma enzima conhecida por monoaminoxidase (MAO) para sua desativação, que, através de uma reação de oxidação converte maior parte da serotonina em ácido 5- hidroxindoleacético (5-HIAA). A inibição da MAO provoca um aumento nos níveis serotoninérgicos do cérebro, pois a serotonina produzida não é inativada, ocorrendo um acúmulo e, posteriormente, uma hiperativação cerebral capaz de fornecer efeitos psicoativos. (CALAWAY apud METZNER, 2002).

Os níveis excessivos de serotonina podem causar náuseas e vômitos decorrentes da estimulação direta do nervo pneumogástrico e diarréia, caso a serotonina periférica do trato digestivo estimule a motilidade intestinal (CALAWAY & GROB, 1998; CALAWAY apud METZNER, 2002).

Além de sua função neurotransmissora, a serotonina é a precursora metabólica da melatonina, que é produzida durante a noite ou em estados meditativos (STRASSMAN, 2001). Pode servir também de precursora para diversas índoles endógenas tais como: a 5-metoxi-N-N-DMT (5-MeO-DMT), a 5-hidroxi-DMT ou bufotenina e por outra via metabólica a N-N-dimetiltriptamina (DMT) seguindo a formação da triptamina endógena. (CALAWAY apud METZNER, 2002).

A ayahuasca contém as beta-carbolinas provenientes do cipó Banisteriopsis caapi: harmina e tetrahidroharmina em maior quantidade e harmalina, harmalol, harmol e alcalóides correlatados em níveis menores. A harmina age inibindo, temporariamente, a monoaminoxidase (MAO), sendo a sua ação reversível. A harmalina também possui ação inibidora da monoaminoxidase (IMAO), sendo mais potente que a harmalina e encontrada em níveis bem menores na bebida. (UDENFRIEND et al., 1958 apud METZNER, 2002; BUCKHOLZ & BOGGAN, 1977 apud METZNER, 2002).

A DMT contida na ayahuasca é oralmente inativa devido à desaminação pela monoaminoxidase (MAO) intestinal e hepática (CAZENAVE, 2000). Entretanto, as beta-carbolinas provenientes do cipó Banisteriopsis caapi possuem a propriedade de inibir a MAO (ação reversível). A atividade psicotrópica da ayahuasca é decorrente da ação sinérgica das beta-carbolinas que inibem a MAO, ocorrendo, conseqüentemente, um aumento das catecolaminas, da serotonina e da concentração de DMT (CAZENAVE, 2000), que interagem com os receptores 5-HT2 de serotonina e D2 de dopamina (RIBA, 2004), aumentando as alterações psicotomiméticas (GROB et al, 1996). 


Aspectos terapêuticos da ayahuasca

É interessante destacar o fato de que tribos indígenas primitivas detinham o conhecimento e utilizavam fármacos de origem vegetal com ação inibidora da MAO, uma tecnologia recente para a farrmacologia principalmente na área de antidepressivos.

A primeira pesquisa medicinal com o extrato de Banisteriopsis caapi foi descrita pelo neurologista Kurt Beringer em 1928 como tratamento do parkinsonismo pós-encefálico (METZNER, 2002). Ao longo dos anos, diversas pesquisas foram realizadas visando avaliar o potencial terapêutico da ayahuasca, nas quais podemos citar os seguintes resultados: ação anti-tripanosomal contra o Trypanosoma lewisii (HOPP et al., 1976 apud MCKENNA et al., 1998) e Trypanosoma cruzii (RODRIGUEZ et al., 1982 apud POMILIO et al., 1999); Terapia para abuso de drogas (LABIGALINI, 1998; GROB et al., 1996; LABATE, 2004; MABIT, 2004; MCKENNA, 2004); recuperação de quadros de depressão e ansiedade fóbica e aumento da habilidade do indivíduo se adaptar psicologicamente (GROB et al., 1996).

Auxílio no tratamento de distúrbios psiquiátricos como: depressão, autismo, esquizofrenia, desordem de déficit de atenção por hiperatividade, demência senil (MCKENNA, 2004); Efeitos imunomodulatórios como remissões de cânceres (TOPPING, 1998; CHEN et al. 2005) e outras doenças, longevidade e vigor físico (MCKENNA, 2004).

Atualmente, a ayahuasca vem sido utilizada na recuperação de indivíduos com problemas de abuso de drogas. Um estudo realizado com ex-dependentes de álcool, que saíram do vício após o consumo da ayahuasca em um contexto religioso, mostrou que o uso do chá por esses indivíduos não apresenta contornos psicopatológicos de uma compulsão, sendo observado também uma melhora na qualidade de vida dos entrevistados (LABIGALINI,1998). O Dr. Jaques Mabbit mantém um centro de reabilitação de toxicomaníacos no Peru chamado Takiwasi, onde desenvolve pesquisas e trabalhos que valorizam os recursos humanos e naturais das medicinas tradicionais com o objetivo de encontrar uma forma terapêutica alternativa e de baixo custo na questão do abuso de drogas. No Brasil, existem diversos médicos e terapeutas que utilizam a ayahuasca em conjunto com seus tratamentos que, na maioria das vezes visa à reabilitação dos indivíduos com problemas de adicção. (LABATE, 2004)


Interações com medicamentos e reações adversas

Alguns antidepressivos modernos classificados como IMAO (Inibidor da Monoaminoxidase) e ISRS (Inibidor Seletivo de Recaptação da Serotonina) que possuem a propriedade de inibir a recaptação de serotonina e catecolaminas. Estes mecanismos de ação são semelhantes ao das beta-carbolinas e quando utilizados em conjunto podem ocasionar uma “síndrome serotoninérgica” cujos sintomas típicos são: euforia inicial, tremores musculares, náusea, elevação da temperatura, arritmia cardíaca e ocasionalmente uma falha renal e coma que podem levar à morte (CALLAWAY, 1994; CALLAWAY, et al, 1998; CALLAWAY apud METZNER, 2002).

Eliseu Labigalini Jr., contra indica apenas os antidepressivos que utilizam a Fluoxetina2 . Os outros antidepressivos podem ser utilizados em conjunto com a ayahuasca, com orientação médica e uma interrupção no medicamento alguns dias antes do consumo do chá [alteração no texto original feita por nós]. Os estabilizadores de humor podem ser utilizados normalmente em conjunto com a ayahuasca com devida orientação médica. Recomenda-se que indivíduos com quadros esquizofrênicos ou psicóticos não utilizem a bebida. [alteração feita por nós novamente]

Referências: clique no ícone acima e veja a monografia na integra.

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