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Sonhar ou acordar?

Categories: Reflexões,Ucem

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Um conceito que tem incomodado muito ultimamente é a ideia de que o mundo é uma ilusão. Esse conceito não é novo e já foi abordado nas mais diferentes tradições espirituais. É um tema recorrente em diversas conversas filosóficas ou espiritualistas e, cedo ou tarde, é citado por alguém como um remédio doce para um sofrimento vivenciado. Mas, quando o conceito é utilizado para indicar que qualquer coisa que pareça acontecer em nossa vida, dentro desse quadro que chamamos de realidade, não existe, aí a tensão entra na conversa e a defensividade entra em jogo.

Pensar que sofrimento é ilusão é possível, mas pensar que aquilo que entendemos como felicidade, alegria, prazer e tudo o que norteia nossa vida é uma ilusão é bem diferente. Dizer que os estados emocionais são uma grande ilusão é possível compreender, mas dizer que o mundo e o universo perceptível não existem, isso é coisa de doido!

Eu posso ver! Eu posso tocar! Eu sinto! Portanto existe, é real.

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Os ensinamentos do UCEM nos trazem a ideia de que não existe universo, mundo, corpos, células ou moléculas. Nada do que percebemos, tocamos, sentimos ou experimentamos nesse universo realmente existe ou aconteceu. Sim, a vida que acreditamos viver é uma grande ilusão, sonhada por uma mente que se acredita separada e dividida. Essa crença de separação, divisão e individualização da mente criou (ou projetou) todo o nosso universo à imagem e semelhança da mente que acredita ser real essa insanidade.

O problema é que atribuímos essa criação a um ou mais deuses e projetamos tudo para fora – a santidade: sagrada é a natureza, as estrelas o universo etc. Em menor escala vemos o sagrado em um nascimento, na “harmonia” da natureza, a inocência em uma criança ou em um idoso. Projetamos também o pecado, a culpa, o medo: culpados são os outros pelo que acontece. Todas as qualidades e defeitos que acreditamos são projetadas em todos os lugares fora de nós (a crença na separação).

Existem aqueles que percebem a contradição da crença que Deus é perfeito e só pode ter criado a perfeição e, portanto, observando esse mundo (esta vida) passam a acreditar que uma energia criou o universo e tudo o que nele existe, a partir do Big Bang (o universo se expandindo para fora a partir de um ponto onde ocorreu). Ou, na melhor das hipóteses, que não fomos nós que criamos esse universo e somos apenas um efeito dentro dele restando apenas tolerar a vida da melhor maneira possível (qual o sentido da vida?).

Mas será que estamos prontos para compreender e aceitar que nós criamos esse universo à maneira que acreditamos ser?

Basta só um pouco de observação para perceber que o sistema de pensamento que governa o universo é dualista. Esse sistema de pensamento é o estado de sono em que nos encontramos hoje, acreditando viver uma vida de opostos, diferenças, conflitos, uma vida de binários.

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O pensamento dualista é, portanto, o pensamento que governa o sonho, que chamamos de universo, mundo e de vida – a ilusão! Esse sonho é um conteúdo latente de nossa mente projetado para fora, fazendo com que ele pareça separado de nós. Assim o que é aparentemente físico é apenas resultado da psicologia da mente do sonhador. Toda a nossa busca, em última instância, é pelo despertar, como desfazer esse sonho insano. A única escolha que vamos “sempre” fazer é se continuaremos sonhando ou não.

A realidade desse sonho é sustentada pelo fato de nos mantermos inconscientes dele, acreditando viver literalmente uma vida criada e sustentada por uma ou mais divindades. Assim, dentro do sonho, estamos limitados a pontos de vistas diferentes, que não se sustentam enquanto modelos que tentam explicar e dar realidade a ele, pois dependem da percepção. Aqui conceitos como evolução, melhor, maior, bonito parece ter sentido quando comparado ao seu oposto. Por isso, a ideia de evolução espiritual, seres evoluídos ou pessoas sábias são também uma ilusão.

Mas, o que é a percepção? Perceber é estar consciente de algo e não perceber é estar inconsciente de algo. Nossa percepção é limitada pois depende da aceitação ou rejeição (julgamento), deixando coisas de fora dela (separação). Perceber tudo significa eliminar o inconsciente ou ficar consciente de tudo. Essa consciência da totalidade nos leva a escolha: Despertar ou não?

Ainda há dualidade, sim ou não, 0 ou 1, portanto, nessa perspectiva, a consciência é, em última instância, uma ilusão dualista, pois requer um observador e o observado, um sujeito e um objeto; é algo do sonho e não da realidade. Mas então, o que é a realidade? Realidade é aqui aceita como Unicidade, ela é a não-dualidade, sem diferenças, sem opostos, sem conflitos, sem separação, ou seja, sem binários.

A consciência é a gênesis da percepção, é a aceitação da alteridade. O que significa que não existe um observador objetivo. Nesse universo, o observador é o observado, o percebido é o que percebe, o sonho é o sonhador. Consciência é o truque para nos manter adormecidos. Caímos nesse truque no momento em que acreditamos ser corpos, acreditando no que os corpos no dizem, nossa ciência está pautada na observação dos corpos. Para perceber uns aos outros, os corpos precisam ser diferentes. Desde o nível micro até o macro, há reações diferentes a diferentes corpos. Tudo nesse universo é feito de corpos, e os corpos são feitos por um pensamento: O pensamento da separação.

O pensamento projetado para fora faz surgir a alucinação coletiva que nós chamamos de universo. Chamamos também de energia (Big Bang), que quando altamente concentrada faz a matéria, energia é o pensamento dos sonhos (ilusão). As leis que investigamos desse universo físico são padrões de pensamentos habituais de uma única mente sonhadora, esses padrões fazem o universo físico dos corpos e esses corpos nos fazem experimentar certas alucinações. Os corpos fazem com que limitemos nossa percepção. Com a percepção limitada, tornamos a busca pela verdade impossível de ser alcançada, tornando o sonho real e nos deixando na posição de marionetes – busque e não ache!

Estamos dispostos a aceitar a irrealidade disso que chamamos de vida? Nós, como sonhadores, ensinamos o mundo a nos ensinar apenas o que queremos aprender. Deciframos e interpretamos o mundo de acordo com o nosso objetivo: Sonhar ou acordar.

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Na maioria das vezes estamos realmente dispostos a despender muita energia e tempo para provar que não existe sonho, que o que percebemos é real, que o mundo é real. Estamos tão identificados e apegados a essa alucinação, que acreditamos que ela nos define, molda nosso  Ser. Acreditamos ser esse mundo nossa casa, apesar da clara insatisfação que carregamos por estar aqui. Apesar de todas as contradições e de todas evidencias sobre a ineficácia de permanecer em um estado feliz e pacífico nessa realidade continuamos nos esforçando por acreditar que modificando o mundo encontraremos a paz que acreditamos ter perdido.

Você tem que entender, a maioria dessas pessoas não estão prontas para acordarem. E muitas delas estão tão acostumadas, tão dependentes do sistema, que vão lutar para protegê-lo. (Matrix -1999)

Assim, retornamos ao questionamento, estamos realmente dispostos a acordar, desapegando de tudo aquilo que pensamos ser real, descobrindo que era o nada, e com isso reconhecer e passar a receber o tudo que é a realidade do amor perfeito para sempre?

Estamos dispostos a encontrar a verdade?

 

Obs: Texto inspirado no livro: O universo é um sonho – os segredos da existência revelados e nos ensinamento do UCEM

 

 

 

 

 

 

Author: Willian Tello

Fundador e dirigente do Instituto Espiritual Xamânico Flor de Lótus